1.
O
amor é a
primeira perceção do sagrado que alcançamos sentir nas nossas vidas. É
a primeira emoção que o ser humano tem da unidade. Ou seja, só através
do amor podemos transcender o sentimento de isolamento e de separação
que faz parte da nossa condição humana. Pois o amor contém
a essência
daquilo que é eterno no universo.
Nas
nossas vidas, no nosso quotidiano, sentimo-nos vazios, inseguros e dissociados.
Algo na existência contém uma ruptura na harmonia
primordial de que somos herdeiros e nos faz sentir que algo nos falta para nos
sentirmos completos e unos.
Há em
nós
uma memória
dessa harmonia primeira, dessa unidade perdida. Há
em nós
uma memória
de perda. Assim nasce o desejo primeiro de amar. No início,
nasce como uma carência, que nos leva a querer
encontrar num outro ser a concretização dessa memória
de unidade. Esta é uma primeira emoção.
Esta é uma
primeira vibração do amor que ativa o desejo de transcender a nossa
condição
humana de seres dissociados. Num mundo dividido esta é uma
primeira experiência de unidade. É
uma milagrosa experiência que dignifica o homem,
levando-o à descoberta da sua capacidade de amar.
Efetivamente,
amar é unir. Todas as projeções
amorosas são animadas por esta intenção, ainda que nem sempre o ser humano esteja consciente desse facto.
Na verdade, o amor é a única frequência
capaz de libertar da prisão existencial, íntima
e redutora, que se traduz no sentimento de solidão. O amor manifesta a presença
de uma transcendência no universo que nos conduz a
uma iluminação progressiva, que nos leva a amar cada ser vivo
enquanto expressão da nossa própria natureza.
Cada um de nós é uma gota de um mesmo e único oceano. Somos uma unidade de vida autónoma, um campo unitário, individualizado, mas ao mesmo tempo, estamos ligados à vida do universo de um modo subtil, misterioso e não visível nem mensurável. O projeto que nos fez nascer pretende que nos voltemos a sentir unificados, e que sintamos a vida como una. O projeto de vida de todo o ser humano é religar-se com o dividido, e para isso o amor é a chave que abre a porta invisível do coração humano e lhe permite a experiência de unidade.
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