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          O amor é a primeira perceção do sagrado que alcançamos sentir nas nossas vidas. É a primeira emoção que o ser humano tem da unidade. Ou seja, só através do amor podemos transcender o sentimento de isolamento e de separação que faz parte da nossa condição humana. Pois o amor contém a essência daquilo que é eterno no universo.

          Nas nossas vidas, no nosso quotidiano, sentimo-nos vazios, inseguros e dissociados. Algo na existência contém uma ruptura na harmonia primordial de que somos herdeiros e nos faz sentir que algo nos falta para nos sentirmos completos e unos.

          Há em nós uma memória dessa harmonia primeira, dessa unidade perdida. Há em nós uma memória de perda. Assim nasce o desejo primeiro de amar. No início, nasce como uma carência, que nos leva a querer encontrar num outro ser a concretização dessa memória de unidade. Esta é uma primeira emoção. Esta é uma primeira vibração do amor que ativa o desejo de transcender a nossa condição humana de seres dissociados. Num mundo dividido esta é uma primeira experiência de unidade. É uma milagrosa experiência que dignifica o homem, levando-o à descoberta da sua capacidade de amar.

 

          Efetivamente, amar  é unir. Todas as projeções amorosas são animadas por esta intenção, ainda que nem sempre  o ser humano esteja consciente desse facto. Na verdade, o amor é a única frequência capaz de libertar da prisão existencial, íntima e redutora, que se traduz no sentimento de solidão. O amor manifesta a presença de uma transcendência no universo que nos conduz a uma iluminação progressiva, que nos leva a amar cada ser vivo enquanto expressão da nossa própria natureza.

          Cada um de nós é uma gota de um mesmo e único oceano. Somos uma unidade de vida autónoma, um campo unitário, individualizado, mas ao mesmo tempo, estamos ligados à vida do universo de um modo subtil, misterioso e não visível nem mensurável. O projeto que nos fez nascer pretende que nos voltemos a sentir unificados, e que sintamos a vida como una. O projeto de vida de todo o ser humano é religar-se com o dividido, e para isso o amor é a chave que abre a porta invisível do coração humano e lhe permite a experiência de unidade. 

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