Mensagens

7.

A consciência do amor implica maturidade emocional. Não nascemos a saber amar. O amor é uma aventura, uma progressiva descoberta, uma revelação, que podemos associar a um progressivo autoconhecimento. Podemos morrer sem nunca termos experimentado o amor na sua condição essencial. E, tal como a vida se expressa em movimento, também assim acontece com o amor. Para alimentarmos o amor, precisamos de sermos capazes de acrescentar algo novo a cada dia à dinâmica de uma relação. Caso contrário, tornamo-nos repetitivos e isso conduz à estagnação que é o contrário de movimento. Caminhar para a liberdade é irmos no sentido do que a vida nos propõe. É sermos fiéis ao movimento de contínua transformação. Sem resistências, é estarmos atentos, através das crises de cada dia, ao revelar das nossas potencialidades, e ao nosso contínuo e progressivo autoconhecimento. Se numa relação tentarmos interromper esse movimento, impedindo o outro de ser fiel a si próprio, obviamente que a relação está co...

6.

            Para existir amor tem de haver qualidade. Não podemos amar aquilo em que não reconhecemos qualidade: o bom, o belo, o bem. Existem categorias a que damos valor e são elas que são necessárias para as nossas escolhas da vida. Se procuramos no outro a qualidade, isso significa que já somos, ou nos tornámos, emocionalmente adultos. Mas também é verdade que o amor não comporta a dependência: amar é sermos livres e criarmos liberdade para o outro.           Por tudo isto, não devemos evitar romper um compromisso que nos aprisiona e em relação ao qual já não reconhecemos qualidade. O prazer de estar junto do outro faz parte daquilo que consideramos necessário para manter uma relação afetiva e esse prazer exprime-se, por exemplo, na existência de uma dinâmica de crescimento que partilhamos com um outro ser.           A palavra de ordem des...

5.

            O amor comporta a desilusão. Primeiro iludimo-nos, porque excessivamente projetamos num outro ser aquilo que na verdade não corresponde àquilo que ele é; para, depois, sofrermos com a realidade que o tempo vem a demonstrar ser a verdadeira natureza de alguém e que não é, porque não pode ser, a imagem irreal que construímos na nossa mente. Isto é uma dor de amor.           Mas a dor de amor é também ela necessária para o nosso crescimento. Se formos capazes de dar sentido às falsas projeções que vamos construindo ao longo da nossa vida, é possível eliminar tudo aquilo que corresponde a um desejo de carácter instintivo, e podemos dizer mesmo que irracional, e fazer despertar em nós um sentido mais rigoroso, no qual já não confundimos as nossas carências, e o desejo, com o objetivo de que o outro venha satisfazer as nossas necessidades, também elas, em larga medida, ilusórias. E...

4.

            Viver implica experimentar o drama existencial que está contido no amor e naquilo que em si mesmo existe de contraditório. Pois, de facto, é através do amor que saímos da teia da solidão, que aprisiona todo o ser que não é capaz de se libertar dos condicionalismos da vida.   Amar é tornar inteligente tudo aquilo que, por natureza, é instintivo. Amar é ser capaz de tornar racional até o medo com que nos confrontamos no dia a dia. Amar desperta no homem um sentido novo de dignidade: é encontrar na existência aquilo que não pode morrer – a dimensão do sagrado que está contida na vida.   Inicialmente, podemos dizer que o amor tem uma dimensão dolorosa. Porque é através do outro que se procura encontrar a unidade perdida e nisso existe sempre alguma forma de sofrimento que não pode ser anulada. Podemos, então, dizer que esse sofrimento é próprio de uma relação a dois.   E, na verdade, se amamos, devemo...

3.

                      Existe um antagonismo entre amor e desejo . O primeiro é um anseio da alma; o segundo é uma manifestação do ego. O mesmo será dizer que cada um de nós experimenta sempre viver esta dualidade, que, na verdade, é uma condição, e, ao mesmo tempo, um drama existencial.           Justamente, é neste antagonismo, amor por oposição a desejo, que assenta a maior parte dos conflitos numa relação a dois.           Transcender isto é um longo caminhar. É um processo que nos encaminha da noite para o dia, ou seja, daquilo que em nós é marcadamente instintivo, irracional, para algo mais consciente e luminoso . Na nossa sociedade, o que nos anima é o desejo de   amar e o desejo de ser amado . É por isso que h á sempre um reverso de dor e de sofrimento em cada relação a dois . Nestes casos, confundimos amor com des...

2.

          Numa primeira fase, o amor ainda n ão é um absoluto. Inicialmente, o amor comporta em si mesmo a carência interior que cada um de nós possui . As pessoas confundem a sua necessidade de pertença a alguém com a abrangência singular que está presente verdadeiramente no amor e que abarca o todo .           Quando amamos de verdade, sentimos um acr és cimo de vida em n ós . É uma emo çã o interna, vertical , que liga o nosso centro interno ao universo . E só desta forma é possível anular a dor da solidão .           Nestas circunst ân cia s , mesmo que tudo à nossa volta seja adverso, encontramos em nós próprios uma fonte de harmonia, que nada mais é do que uma profunda paz, que nós alcançamos sentir, quando a solidão deixa de ser um sofrimento que nos acompanha e se torna, essa mesma solidão, na forma e na expressão humana transcendidas po...

1.

          O amor é a primeira dimensão do sagrado que alcan ça mos ter nas nossas vidas. É a primeira perceção que o ser humano tem de que é possível atingir uma plenitude, traduzida num sentimento de unidade com um outro ser . Ou seja, s ó atrav és do amor podemos transcender o sentimento de isolamento e de separa çã o que faz parte da nossa condi çã o humana. Pois o amor cont ém a ess ên cia daquilo que está para além do que é efémero no universo.           Nas nossas vidas, no nosso quotidiano, sentimo-nos insatisfeitos . Algo na exist ên cia , tal como a conhecemos, cont ém uma ruptura n um a harmonia primordial de que somos herdeiros e nos faz sentir que algo nos falta para nos sentirmos completos e unos.           H á em n ós uma mem ór ia difusa d uma harmonia primeira, d uma unidade perdida. H á em n ós também uma mem ór ia ...

Amar – a grande aprendizagem humana

          N ão é poss ív el falarmos do amor sem, ao mesmo tempo, falarmos do universo e da vida. Na verdade, num sentido profundo, existir implica amar, pois s ó assim se atinge o sentido de vida maior.           Contudo, o amor tamb ém é dor e apresenta-se n ão raro como um ponto de viragem na nossa condição humana, já que é a partir do sofrimento que alcançamos transformar as nossas vidas.           A verdade que não nascemos a saber amar. Precisamos de aprender. O amor é um alto n ív el de consci ên cia que se apresenta, ante cada um de nós, como um mistério maior a ser atingido, quando, ao longo da nossa existência, passamos pelas experiências que permitem que o amor se revele na sua máxima plenitude: revelação sintética e que liga, profunda e indissociavelmente, o pensar ao sentir.
Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos, se não tivesse amor, seria como sino ruidoso ou como címbalo estridente. Ainda que tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência; ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse amor, nada seria. Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse amor, nada disso me adiantaria. O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência também desaparecerá. Pois o nosso conhecimento é limitado; limitada é também a nossa profecia. Mas, quando vier a...