3.
Existe um antagonismo entre amor e desejo.
O primeiro é um anseio da alma; o segundo é uma manifestação do ego. O mesmo
será dizer que cada um de nós experimenta sempre viver esta dualidade, que, na
verdade, é uma condição, e, ao mesmo tempo, um drama existencial.
Justamente, é neste antagonismo, amor por oposição a desejo,
que assenta a maior parte dos conflitos numa relação a dois.
Transcender
isto é um
longo caminhar. É um processo que nos encaminha
da noite para o dia, ou seja, daquilo que em
nós é marcadamente instintivo, irracional, para algo mais consciente e luminoso.
Na
nossa sociedade, o que nos anima é o desejo de amar e o
desejo de ser amado.
É
por isso que há sempre um reverso de dor
e de sofrimento em cada relação a dois. Nestes casos, confundimos amor com desejo. As
pessoas chamam amor a todas as formas de projeção psíquica,
criadas por carência ou por insatisfação.
Confunde-se a abundância que é o
amor com o grande vazio interior que podemos identificar com o sentimento de
solidão.
Nestes casos pede-se, não se dá.
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