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A mostrar mensagens de junho, 2026

3.

                      Existe um antagonismo entre amor e desejo . O primeiro é um anseio da alma; o segundo é uma manifestação do ego. O mesmo será dizer que cada um de nós experimenta sempre viver esta dualidade, que, na verdade, é uma condição, e, ao mesmo tempo, um drama existencial.           Justamente, é neste antagonismo, amor por oposição a desejo, que assenta a maior parte dos conflitos numa relação a dois.           Transcender isto é um longo caminhar. É um processo que nos encaminha da noite para o dia, ou seja, daquilo que em nós é marcadamente instintivo, irracional, para algo mais consciente e luminoso . Na nossa sociedade, o que nos anima é o desejo de   amar e o desejo de ser amado . É por isso que h á sempre um reverso de dor e de sofrimento em cada relação a dois . Nestes casos, confundimos amor com des...

2.

          Numa primeira fase, o amor ainda n ão é um absoluto. Inicialmente, o amor comporta em si mesmo a carência interior que cada um de nós possui . As pessoas confundem a sua necessidade de pertença a alguém com a abrangência singular que está presente verdadeiramente no amor e que abarca o todo .           Quando amamos de verdade, sentimos um acr és cimo de vida em n ós . É uma emo çã o interna, vertical , que liga o nosso centro interno ao universo . E só desta forma é possível anular a dor da solidão .           Nestas circunst ân cia s , mesmo que tudo à nossa volta seja adverso, encontramos em nós próprios uma fonte de harmonia, que nada mais é do que uma profunda paz, que nós alcançamos sentir, quando a solidão deixa de ser um sofrimento que nos acompanha e se torna, essa mesma solidão, na forma e na expressão humana transcendidas po...

1.

          O amor é a primeira dimensão do sagrado que alcan ça mos ter nas nossas vidas. É a primeira perceção que o ser humano tem de que é possível atingir uma plenitude, traduzida num sentimento de unidade com um outro ser . Ou seja, s ó atrav és do amor podemos transcender o sentimento de isolamento e de separa çã o que faz parte da nossa condi çã o humana. Pois o amor cont ém a ess ên cia daquilo que está para além do que é efémero no universo.           Nas nossas vidas, no nosso quotidiano, sentimo-nos insatisfeitos . Algo na exist ên cia , tal como a conhecemos, cont ém uma ruptura n um a harmonia primordial de que somos herdeiros e nos faz sentir que algo nos falta para nos sentirmos completos e unos.           H á em n ós uma mem ór ia difusa d uma harmonia primeira, d uma unidade perdida. H á em n ós também uma mem ór ia ...

Amar – a grande aprendizagem humana

          N ão é poss ív el falarmos do amor sem, ao mesmo tempo, falarmos do universo e da vida. Na verdade, num sentido profundo, existir implica amar, pois s ó assim se atinge o sentido de vida maior.           Contudo, o amor tamb ém é dor e apresenta-se n ão raro como um ponto de viragem na nossa condição humana, já que é a partir do sofrimento que alcançamos transformar as nossas vidas.           A verdade que não nascemos a saber amar. Precisamos de aprender. O amor é um alto n ív el de consci ên cia que se apresenta, ante cada um de nós, como um mistério maior a ser atingido, quando, ao longo da nossa existência, passamos pelas experiências que permitem que o amor se revele na sua máxima plenitude: revelação sintética e que liga, profunda e indissociavelmente, o pensar ao sentir.
Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos, se não tivesse amor, seria como sino ruidoso ou como címbalo estridente. Ainda que tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência; ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse amor, nada seria. Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse amor, nada disso me adiantaria. O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência também desaparecerá. Pois o nosso conhecimento é limitado; limitada é também a nossa profecia. Mas, quando vier a...