2.



          Numa primeira fase, o amor ainda não é um absoluto. Inicialmente, o amor comporta em si mesmo a carência interior que cada um de nós possui. As pessoas confundem a sua necessidade de pertença a alguém com a abrangência singular que está presente verdadeiramente no amor e que abarca o todo.

          Quando amamos de verdade, sentimos um acréscimo de vida em nós. É uma emoção interna, vertical, que liga o nosso centro interno ao universo. E só desta forma é possível anular a dor da solidão.

          Nestas circunstâncias, mesmo que tudo à nossa volta seja adverso, encontramos em nós próprios uma fonte de harmonia, que nada mais é do que uma profunda paz, que nós alcançamos sentir, quando a solidão deixa de ser um sofrimento que nos acompanha e se torna, essa mesma solidão, na forma e na expressão humana transcendidas por cada um de nós.

          Esta experiência de unidade elimina em nós o sentimento de separação face ao mundo. Quando isto acontece, é porque se abriu a porta do coração e o medo (o grande nó psíquico) foi definitivamente eliminado.

 

 

 

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