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A mostrar mensagens de julho, 2026

7.

A consciência do amor implica maturidade emocional. Não nascemos a saber amar. O amor é uma aventura, uma progressiva descoberta, uma revelação, que podemos associar a um progressivo autoconhecimento. Podemos morrer sem nunca termos experimentado o amor na sua condição essencial. E, tal como a vida se expressa em movimento, também assim acontece com o amor. Para alimentarmos o amor, precisamos de sermos capazes de acrescentar algo novo a cada dia à dinâmica de uma relação. Caso contrário, tornamo-nos repetitivos e isso conduz à estagnação que é o contrário de movimento. Caminhar para a liberdade é irmos no sentido do que a vida nos propõe. É sermos fiéis ao movimento de contínua transformação. Sem resistências, é estarmos atentos, através das crises de cada dia, ao revelar das nossas potencialidades, e ao nosso contínuo e progressivo autoconhecimento. Se numa relação tentarmos interromper esse movimento, impedindo o outro de ser fiel a si próprio, obviamente que a relação está co...

6.

            Para existir amor tem de haver qualidade. Não podemos amar aquilo em que não reconhecemos qualidade: o bom, o belo, o bem. Existem categorias a que damos valor e são elas que são necessárias para as nossas escolhas da vida. Se procuramos no outro a qualidade, isso significa que já somos, ou nos tornámos, emocionalmente adultos. Mas também é verdade que o amor não comporta a dependência: amar é sermos livres e criarmos liberdade para o outro.           Por tudo isto, não devemos evitar romper um compromisso que nos aprisiona e em relação ao qual já não reconhecemos qualidade. O prazer de estar junto do outro faz parte daquilo que consideramos necessário para manter uma relação afetiva e esse prazer exprime-se, por exemplo, na existência de uma dinâmica de crescimento que partilhamos com um outro ser.           A palavra de ordem des...

5.

            O amor comporta a desilusão. Primeiro iludimo-nos, porque excessivamente projetamos num outro ser aquilo que na verdade não corresponde àquilo que ele é; para, depois, sofrermos com a realidade que o tempo vem a demonstrar ser a verdadeira natureza de alguém e que não é, porque não pode ser, a imagem irreal que construímos na nossa mente. Isto é uma dor de amor.           Mas a dor de amor é também ela necessária para o nosso crescimento. Se formos capazes de dar sentido às falsas projeções que vamos construindo ao longo da nossa vida, é possível eliminar tudo aquilo que corresponde a um desejo de carácter instintivo, e podemos dizer mesmo que irracional, e fazer despertar em nós um sentido mais rigoroso, no qual já não confundimos as nossas carências, e o desejo, com o objetivo de que o outro venha satisfazer as nossas necessidades, também elas, em larga medida, ilusórias. E...

4.

            Viver implica experimentar o drama existencial que está contido no amor e naquilo que em si mesmo existe de contraditório. Pois, de facto, é através do amor que saímos da teia da solidão, que aprisiona todo o ser que não é capaz de se libertar dos condicionalismos da vida.   Amar é tornar inteligente tudo aquilo que, por natureza, é instintivo. Amar é ser capaz de tornar racional até o medo com que nos confrontamos no dia a dia. Amar desperta no homem um sentido novo de dignidade: é encontrar na existência aquilo que não pode morrer – a dimensão do sagrado que está contida na vida.   Inicialmente, podemos dizer que o amor tem uma dimensão dolorosa. Porque é através do outro que se procura encontrar a unidade perdida e nisso existe sempre alguma forma de sofrimento que não pode ser anulada. Podemos, então, dizer que esse sofrimento é próprio de uma relação a dois.   E, na verdade, se amamos, devemo...