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          Viver implica experimentar o drama existencial que está contido no amor e naquilo que em si mesmo existe de contraditório. Pois, de facto, é através do amor que saímos da teia da solidão, que aprisiona todo o ser que não é capaz de se libertar dos condicionalismos da vida.

 

Amar é tornar inteligente tudo aquilo que, por natureza, é instintivo. Amar é ser capaz de tornar racional até o medo com que nos confrontamos no dia a dia. Amar desperta no homem um sentido novo de dignidade: é encontrar na existência aquilo que não pode morrer – a dimensão do sagrado que está contida na vida.

 

Inicialmente, podemos dizer que o amor tem uma dimensão dolorosa. Porque é através do outro que se procura encontrar a unidade perdida e nisso existe sempre alguma forma de sofrimento que não pode ser anulada. Podemos, então, dizer que esse sofrimento é próprio de uma relação a dois.

 

E, na verdade, se amamos, devemos aceitar que o outro (tal como nós mesmos) é imperfeito. Mas não é isso que habitualmente acontece. De facto, quando nos projetamos amorosamente em alguém, a nossa expectativa tende a ser demasiado elevada, não contemplando a ideia de que o outro ser, tal como nós, também tem defeitos, e não pode, por isso, devolver-nos uma dimensão de absoluto. Isto conduz, fatalmente, à desilusão e à separação.

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