4.
Viver
implica experimentar o drama existencial que está contido no amor e naquilo que
em si mesmo existe de contraditório. Pois, de facto, é através do amor que saímos
da teia da solidão, que aprisiona todo o ser que não é capaz de se libertar dos
condicionalismos da vida.
Amar é tornar
inteligente tudo aquilo que, por natureza, é instintivo. Amar é ser capaz de
tornar racional até o medo com que nos confrontamos no dia a dia. Amar desperta
no homem um sentido novo de dignidade: é encontrar na existência aquilo que não
pode morrer – a dimensão do sagrado que está contida na vida.
Inicialmente, podemos
dizer que o amor tem uma dimensão dolorosa. Porque é através do outro que se
procura encontrar a unidade perdida e nisso existe sempre alguma forma de
sofrimento que não pode ser anulada. Podemos, então, dizer que esse sofrimento
é próprio de uma relação a dois.
E, na verdade, se
amamos, devemos aceitar que o outro (tal como nós mesmos) é imperfeito. Mas não
é isso que habitualmente acontece. De facto, quando nos projetamos amorosamente
em alguém, a nossa expectativa tende a ser demasiado elevada, não contemplando
a ideia de que o outro ser, tal como nós, também tem defeitos, e não pode, por
isso, devolver-nos uma dimensão de absoluto. Isto conduz, fatalmente, à desilusão
e à separação.
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