5.
O amor
comporta a desilusão. Primeiro iludimo-nos, porque excessivamente projetamos
num outro ser aquilo que na verdade não corresponde àquilo que ele é; para,
depois, sofrermos com a realidade que o tempo vem a demonstrar ser a verdadeira
natureza de alguém e que não é, porque não pode ser, a imagem irreal que
construímos na nossa mente. Isto é uma dor de amor.
Mas a dor
de amor é também ela necessária para o nosso crescimento. Se formos capazes de
dar sentido às falsas projeções que vamos construindo ao longo da nossa vida, é
possível eliminar tudo aquilo que corresponde a um desejo de carácter
instintivo, e podemos dizer mesmo que irracional, e fazer despertar em nós um
sentido mais rigoroso, no qual já não confundimos as nossas carências, e o
desejo, com o objetivo de que o outro venha satisfazer as nossas necessidades,
também elas, em larga medida, ilusórias.
E isto significa atingir a maturidade.
Numa fase
de imaturidade, chamamos amor às nossas dependências emocionais. Não raro,
associamos um sentimento de segurança à ideia de que a presença do outro cria
em nós a estabilidade necessária para vivermos protegidos neste deserto do
mundo. E, não raro também, dificilmente abdicamos da presença do outro na nossa
existência, porque nos sentimos sós e abandonados a uma má sorte de sermos livres. É este o grande equívoco e se formos emocionalmente
adultos percebemos que a grande representação do amor é a qualidade. Sem uma
referência de qualidade não pode existir amor.
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