6.
Para
existir amor tem de haver qualidade. Não podemos amar aquilo em que não
reconhecemos qualidade: o bom, o belo, o bem. Existem categorias a que damos
valor e são elas que são necessárias para as nossas escolhas da vida. Se
procuramos no outro a qualidade, isso significa que já somos, ou nos tornámos,
emocionalmente adultos. Mas também é verdade que o amor não comporta a dependência:
amar é sermos livres e criarmos liberdade para o outro.
Por tudo
isto, não devemos evitar romper um compromisso que nos aprisiona e em relação
ao qual já não reconhecemos qualidade. O prazer de estar junto do outro faz
parte daquilo que consideramos necessário para manter uma relação afetiva e
esse prazer exprime-se, por exemplo, na existência de uma dinâmica de
crescimento que partilhamos com um outro ser.
A palavra
de ordem deste novo milénio, em termos do amor, é a parceria. Começamos a
perder o medo de ficarmos sozinhos e começamos a aprender a amar de uma forma mais
adulta, na qual amamos, não por necessidade, mas, sim, por opção. Já não
procuramos um salvador ou salvadora, mas, antes, um companheiro. São dois seres
na sua integralidade que se aproximam e escolhem caminhar numa mesma estrada.
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